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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Aquela sua barba mal feita...

Saudade do seu abraço
ainda que raso
me transbordou por inteira
Saudade do seu leve toque
da sua barba mal feita
do seu sorriso escondido
que eu insisto em querer causar.
Saudade de ouvir a sua voz
e o som da sua respiração
de colher flores no teu jardim
te roubar inteiro, te querer pra mim
te ouvir em canções que eu ainda não compus
te ler em poesias que ainda vou escrever
te rimar em prosa 
te descrever em crônicas
e ler contigo depois
toda nossa história de amor. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brevidade.

Se te falta tempo para perceber
te dou quantos segundos precisar
e alguns minutos para sentir
mas não pense tanto no tempo
pense somente no que temos
um ao outro, uma folha em branco
pra desenhar, pintar ou escrever
mas não me faça refrear, esconder
porque o relógio passa rápido
amanhã já chega e você nem vê
que o que falta em mim é você.

O moço da poesia.

O doce que me corrói do açúcar
não é o mesmo do doce dos seus beijos
que ainda não provei mas me assusta
me faz insana, e me busca
de alguém que outrora buscou no mar
as chaves dos meus cadeados.
O que me corrói é a saudade astuta
que me castiga, me insulta e eu juro
que mesmo sendo assim tão inseguro
meu coração bate mais rápido por você.
A angústia da falta da sua presença
não é a mesma que eu tinha antes de te ver
mas tem a mesma intensidade
de quando me ligou pela primeira vez.
Um dia você subiu aquelas escadas
enquanto eu me preocupava em descer.
Quando te vi, me perdi, e acabei perdendo você
mas por sorte a minha, nesse mundo tão pequeno
reconheci os teus olhos e sorri para você me reconhecer.
A eternidade coube naquela mesa
aquela multidão na verdade nem estava ali
eu que tanto queria da vida uma surpresa
acabei por acreditar que o acaso
foi pelo destino mandado
naquela estação de metrô lotada
em que nossos caminhos cruzaram
e nunca mais eu conseguir te esquecer.
Vi em teus olhos o que procurava
vi em tua voz o meu melhor silêncio
ainda quando não  me dizia nada
eu queria era ficar ali.
Por uma noite, pela madrugada,
eu te ouviria falando de poesia
de literatura ou de romance
só pra ter uma vaga lembrança
do moço dos meus poemas
que faz da minha rima, eterna criança.

sábado, 18 de abril de 2015

Do 0

Eu realmente gosto dos seus olhos. E do contorno dos seus lábios e de como eu gostaria que eles contornassem meu corpo.
Gosto da forma das suas mãos e da forma como gostaria que elas me tocassem.
Gosto da sua voz, e imagino te ouvir sussurrando como um vento suave na copa da árvore nas tardes de outono.
Mas acima de tudo, gosto quando você me causa sorrisos, me deixa nervosa e me dá esperança de que ainda existe razão para recomeçar.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Eu sou?

Eu sou a moça que escreve
que sente, que vive e se vira
pra vencer o dia a dia
cheio de lutas e contradições.
Eu sou o brilho nos olhos da criança na infância
que quando vê aquele brinquedo, se encanta
e não descansa até que consiga brincar.
Eu sou o fardo nas costas do operário
que parece um otário
quando dá lucro em troca de pão
enquanto se humilha para o patrão.
Eu sou aquele frio na barriga da moça
quando encontra o rapaz e sente
que não é correspondida
e se estraga de tanto ouvir música sofrida.
Eu sou a rima das poesias
e as contradições das prosas
que se confundem noite e dia.
Eu sou a reticência da nossa história
a vírgula de tantas outras
e a interrogação da sua memória.
Eu sou a regra ortográfica
que você sempre esquece de usar.
Eu sou o ônibus que você perdeu
enquanto ficava no celular.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

A nossa sinfonia.

Prometo te beijar sempre que puder
Mesmo nas manhãs em que eu acordar primeiro
e achar que que está frio demais pra levantar
prometo te amar antes de ir trabalhar.
E antes de sair pela porta a fora,
e também quando voltar.
Eu prometo te olhar com carinho
ainda que eu em mente eu esteja te despindo
prometo sempre te escutar.
Prometo não adoçar tanto o café
não queimar o arroz
nem deixar teu coração esfriar.
E quando as coisas ficarem difíceis
prometo te acariciar a alma
e tentar achar algum motivo
que me levasse a te amar
e resgatar.
Prometo te escrever poesias
te desenhar com os lábios
te decifrar com minhas mãos
para compor a nossa sinfonia.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Moço, vem aqui perto de mim.

Deita aqui no meu colo, deixa eu te fazer um afago...
Não precisa prestar atenção no filme, você sabe de cor e sabe também que colore meus dias.
Não tenha pressa de sair daqui. Aliás, gosto da sua companhia e faria carinho em você por muito tempo se me deixasse.
Se deixar posso passar um café. Mas tem chocolate se não quiser cafeína a noite. Posso abrir um vinho se preferir, só não quero abrir mão de você na minha vida.
Tem iogurte na geladeira caso queira ficar até o sol nascer. Você sabe o caminho até a cozinha e sabe como me conduzir também.
Deixa eu acariciar sua face, bagunçar seu cabelo da mesma forma que bagunçou a minha vida. E que bom que você bagunça, ela já estava certinha demais.
Me ensina sobre música, que eu canto poesia.
Me ensina sobre rimas, que eu faço em prosa o amor que quero com você.
A vida é tão curta, e eu não sei ser de outra forma que não seja intensa. Mas se você me achar muito densa, pode me diluir com realidade. Só não joga um balde de água fria nos meus desejos.
Eu poderia te escrever bilhetes toda vez que sair pra trabalhar. Poderia te desejar sorte, e estar com você mesmo estando no mais completo azar. De toda forma, eu só queria estar.
Deixe-me te ver sorrir um pouco, como uma criança que vê seu desenho favorito. Eu quero ser a personagem principal da sua história, e vou avisando que não faço papel de coadjuvante.
Me ensina o que você gosta de ouvir. Me ensina o que você gosta de comer. Devora aos poucos comigo essa folha ainda em branco que temos para preencher.
Me ensina o que você também quer aprender. Me ama, e me ensina a amar você.