Translate

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Um dia quero que me acorde
quero que me morda e me desarrume.
Um dia quero que tome banho frio
e que saia tremendo pra eu te esquentar.
Um dia eu quero acariciar teu cabelo
e beijar sua boca debaixo da lua.
Um dia eu quero ser tua vizinha
e te esperar na esquina com pão e café.
Um dia eu quero estragar os seus textos
e provar que meus beijos são feitos pra você.
Um dia eu quero caminhar descalça
descer ladeira abaixo de mãos dadas contigo.
Um dia eu quero uma poesia improvisada
com palavras combinadas de amor e de infância.
Um dia eu quero um amor sem regras
e seguir os meus passos ao lado teu...
E olhar pro lado e ver seu sorriso
buscando minha face pra acariciar!


De dezembro de 2011
Não é preciso dizer que sente saudade pra alguém que você teve oportunidade de entregar um abraço mas não o fez porque pensou que o tempo não passaria.
O tempo passa sim, e com ele, passa também toda a insistência inútil de encontros e desencontros que dançaram tanto na pista do talvez, que agora quer pausa para descanso, e mais pra frente, nova canção para sorrir.
Não adianta procurar o que se perdeu em buracos negros que sugaram a vontade de se pertencer à alguém.
Não adianta escrever pra quem escreveu a vida inteira sobre amor mas nunca foi lida, de fato.
Não adianta reinventar memórias de quem poderia fazer um retrato falado quando fecha os olhos , porque a vítima do amor que nunca foi correspondido, não quer mais te encontrar.
De dezembro de 2014

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Te faço um café, quer?

Eu quero acordar de manhã, virar o rosto pro lado e ver que você ainda não acordou. Poder te admirar um ou dois minutos antes de te avisar que você está atrasado pro trabalho. E enquanto você levanta, quero brincar sobre como o dia pode ser bom quando amamos alguém. Depois de um banho, quero te oferecer um café que eu fiz, cheio de aroma de começo que eu sei que você adora nos finais de tarde também.
Quando estiver no trabalho, quero que saiba que estarei pensando em você ao arrumar a cama bagunçada que nós deixamos após uma noite de amor, e mesmo quando eu precisar me concentrar nos estudos, ainda assim me lembrarei de você por descobrir que a métrica da poesia épica costumava ser o hexâmetro datílico. São tantas coisas que quero que saiba...
Que o seu abraço depois de um dia cansativo é o remédio para todo o mal da minha alma, se é que em mim há espaço para algo que não seja amor.
Quando estiver preparando o jantar, quero que o perfume das ervas invada sua percepção e te faça compreender que o ingrediente que faz a diferença é cozinhar com amor pra você. E ao saborear, quero um dia ascender velas e colocar na mesa uma toalha nova num dia comum, só pra lembrar que o melhor da vida, como já dizia um cantor, é de graça. É sua companhia. Seu sorriso. Seu olhar que, desde o início, me conquistou.
Antes de dormir, quero poder te ouvir tocar melodias no violão enquanto eu sussurro palavras de ternura em forma de canção. E cantar contigo, fazer dueto na música e na vida.
Eu quero poder adormecer sentindo o calor do seu corpo, o toque suave das suas mãos, a doçura dos seus lábios desenhando em meu corpo uma boa noite.
E acordar de manhã, novamente, e entender ao olhar pra você que as coisas que Deus faz são mesmo perfeitas.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Se eu sei o que é o amor?
Bom...
Um dia desses eu comentei com meu namorado que estava com vontade de comer um bolinho de chuchu que uma tia minha muito querida já falecida fazia pra mim. 
Ontem ele saiu mais cedo do trabalho e aproveitou pra me fazer uma surpresa. Me chamou pra comer. O que tinha na mesa?
O bolinho de chuchu. Feito por ele. Com todo amor e carinho. 
Pra mim, amor é isso. É se importar com o outro, é agradar sem pedir nada em troca, é cuidar dos mínimos detalhes, e saber que são esses detalhes que realmente importam.
Comi o bolinho de chuchu lembrando dessa tia querida, mas agradecendo a Deus por ter me dado a oportunidade de amar e ser amada.

sábado, 8 de outubro de 2016

Nas tuas primaveras contadas
De todas as completas,
Em algumas estive presente
Mas a minha poesia
Esqueceu-se inteiramente
Dos teus olhos quase invisíveis
Na madrugada, sob o luar.
Agora que o teu cheiro
Não mais me alcança
Ao contrário, me repele...
Tua primavera está viva
Mas as flores que colhemos juntos
e que eu formei um buquê de ilusão
Murcharam por falta de amor
Morreram pra enfeitar nosso fim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A fábula da fonte


       Era uma vez, num lugarzinho no meio do nada, com sabor de marolo e cheiro de café, uma cidadezinha que, em pleno século XXI, ainda vivia a política café com leite.Anos e anos, os donos do poder se revezavam entre si, pois, se alguém com a mente aberta entrasse, estragaria seus planos maquiavélicos que tinham para aquela população que se achava esperta, mas no fundo, eram feitos de palhaços por eles.
Dizem alguns loucos que, mais palhaças ainda, eram as pessoas que defendiam esses donos do poder fielmente, como cães de guarda, para livrarem o seu dono de todo mal ( críticas) que um ou outro fizesse.
No ano em que a democracia no país foi morta a golpe, aconteceu  mais uma eleição que decidiria o futuro daquela cidadezinha nos próximos 4 anos.Nesse tempo, o senhor vovôzinho, que já era o reizinho daquele povo, maqueou bastante a cidade. Limpou praças e colocou corrimão nas escadas, plantou graminhas em todos os lugares possíveis, pintou o meio fio das calçadas, terminou de implantar estacionamento de carros onde havia lindos Ypês amarelos e outras arvorezínhas numa avenida, comprou remédios básicos para a população pobre adquirir na farmacinha que também foi reformada, entre muitas outras bondades (dizem, sem o menos interesse) feitas para aquela população. Até lombadas ele distribuiu ao longo da cidade inteira da noite para o dia!
A saúde, no entanto, ainda precisava de atenção. A educação, infelizmente também foi negligenciada. A segurança então? A sorte de muitos é terem um cachorro grandão pra afastar as pessoas más de suas casas.
Mas havia uma fonte. Ah, aquela fonte tão bela, porém esquecida, ali no meio da praça principal daquele lugarejo. Anos de ouro eram os que aquela fonte funcionava. Luzes coloridas, jatos de água fazendo um show particular para as pessoas. Triste não tê-la mais para enfeitar a realidade monótona daquela cidadezinha. Não tinha cinema, o teatro era para a nata, no festival de música  que  aconteciam lá, os participantes nativos nunca tinham vez. A fruta típica daquele lugar tinha até uma festa, reconhecida pela redondeza, mas pela pequenez da mente dos donos do poder, nunca foi inovada. O povo não tinha voz, nem barriga, nem mente. Mas tinha bota e chapéu para ir pra festa de rodeio.
Voltamos a fonte. Veio uma ideia...Maravilhosa ideia! Vamos reformar a fonte! Vamos devolver o luxo à cidade! Vamos dar aquele sentimento de glória para o povo!
Então o senhor vovôzinho, mesmo com o orçamento super apertado (como ele mesmo divulgava) realizou um verdadeiro milagre ao fazer brotar um dinheiro nos 45' do segundo tempo e...Voilá! Lá está a fonte linda, cheia de cores, com seus jatos de água dando um show para o público que participava do circo como espectador e palhaço!
Muito bem. Mais uma vez o revezamento foi tão eficaz que já pode participar das provas da olimpíadas daqui 4 anos.
O melhor foi a comemoração. Ver o senhor vovôzinho dançar funk de sua campanha em cima de uma caminhonete com seus queridos amigos eleitores, não teve preço. Sinto que nasci pra ver isso.
Olhar para o lado e ver os jovens brigando, arrumando confusões segundos depois do senhor vovôzinho ter descido da caminhonete para distribuir carinhos e carícias, nem o cartão de crédito do Bill Gates paga. Pois a zoeira, essa não tem limites mesmo.
Fim.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Falta alguma coisa
Na alma cheia de vazios
às vezes preenchidos
às vezes esquecidos...
Falta alguma coisa
Na voz silenciada
no grito entalado
na doçura enlatada...
Falta alguma coisa
No amor que está morno
por vezes queima desejo
por outras sobra desdém...
Falta alguma coisa
Na pele de alguém
no toque recebido
no beijo não dado
Sempre falta alguma coisa.